sexta-feira, 14 de abril de 2017

Resenha: Balada 80


Título: Balada 80
Autora: Denise Barbosa
Páginas: 346
Editora: Young


“Balada 80” é um livro nacional do gênero infantojuvenil, escrito pela autora Denise Barbosa. Seu lançamento ocorreu na Bienal do Livro de São Paulo, em 2016, publicado pela Editora Young. Se você gosta de histórias divertidas, com boas referências e viagem no tempo, esta é uma ótima indicação de leitura. Aqui no blog, já fizemos uma entrevista com a autora (Entrevista autora Denise Barbosa), conheçam mais do seu trabalho.
Em "Balada 80", conhecemos Vanessa, uma adolescente como qualquer outra: Ligada no seu mundinho rodeado de modernidade, músicas do momento, gírias, redes sociais, tecnologias e a milagrosa chapinha. Mas tudo começa a mudar quando se vê apaixonada por Ricardinho, o garoto popular da escola, inteligente e fascinado pela cultura anos 80.



Apesar de estudarem na mesma escola e, ás vezes se cruzarem, ambos nunca conversaram – Ricardinho era uma paixão platônica de Vanessa – até que na Educação Física, suas turmas se juntaram para uma partida de vôlei, e adivinhem só quem estava no time adversário? Ele mesmo, o Ricardinho! Isso acaba deixando Vanessa tão distraída que, sem querer, acaba levando uma bolada no nariz! Mas é nessa situação inusitada que finalmente os aproximam.
Então Ricardinho convida Vanessa a se juntar ao seu grupo, uma rodinha de violão, onde ele toca e canta. O que poderia ser um momento legal, acaba sendo meio constrangedor para ela, afinal, nossa protagonista não curte nenhuma “velharia”, se sentindo meio perdida naquele mundo, aquelas músicas que, para ela, são estranhas. É nesse dia que sua ficha cai: Ricardinho é muito para ela, e para conquista-lo, terá que entender e conhecer seus gostos. Sua melhor amiga, Marília (adorei essa menina, também quero ser amiga dela haha’), tenta ajudar Vanessa, apresentando algumas bandas e filmes da década de 80.



Até que um dia, uma fatalidade acontece na vida de Vanessa. Se pai acabara de sofrer um gravíssimo acidente de moto, o deixando entre a vida e a morte. Aquilo a deixa arrasada, um forte desejo de mudar o destino de seu pai cresce em seu coração e será isso que mudará para sempre suas vidas. É através desse forte sentimento que Vanessa é transportada para o ano de 1988! (Agora como ela foi parar ali, leia o livro e descubra, não darei spoilers haha’).
Completamente perdida, confusa e sozinha, Vanessa mesmo que sem querer, acabará conhecendo e vivendo na década de 80. O melhor de tudo está para acontecer: Ela irá conviver com sua mãe adolescente e ainda se tornarão grandes amigas, além de rever seus avós e descobrir o quanto a década de 80 era incrível, irá se divertir como nunca. Nesse tempo que passará na década de 80, Vanessa aprenderá muito, contribuindo para seu amadurecimento e voltando a seu tempo atual totalmente renovada e com surpresas.
Porém dúvidas cercam seus pensamentos, “como voltar para casa?” “será que sem querer ela mudou algo do seu futuro?”, ”será que quando voltar seu pai estará melhor?”



Denise Barbosa como sempre vem me surpreendendo com suas histórias. Tem uma escrita tão gostosa e nos envolvemos tanto com os personagens que não queremos o final do livro! Uma característica que percebi da autora é o quanto ela adora fazer reviravoltas na história, sério mesmo, acho sensacional esse detalhe, pois não fica aquele clichê. Não posso esquecer de mencionar o quanto o livro é cheio de personagens cativantes (seja os principais ou secundários) e a vontade imensa de viver na história, a forma que Denise narra nos faz sentir dentro do livro, nos identificar com os personagens, e de como foram citadas as referências dos anos 80, desde a parte musical com Legião Urbana, Paralamas do Sucesso, Engenheiros do Hawaii, Titãs... E a parte de filmes como "De Volta para o Futuro" e "Dirty Dancing", aproximando a nova geração de grandes clássicos.
Mesmo eu não tenha vivido na década de 80 (nasci nos anos 90), lendo esse livro, tive uma sensação de nostalgia de quando eu era criança nos anos 90 e meados de 2000, e como tudo muda rápido.
Denise Barbosa é uma autora que veio com tudo! Até comentei com ela que se tornou uma das minhas autoras favoritas, é impossível não se encantar com seus livros, e “Balada 80” foi uma das minhas melhores leituras de 2017. 
Preciso falar dessa diagramação linda. Parabéns á Editora Young pela perfeição e o cuidado dos detalhes. Cada apresentação de capítulo é ilustrado com uma fita cassete. Amei a arte da capa, com certeza uma das capas mais fofas da minha estante. Outra coisa legal do livro, é que se você leu "Diário de uma fã", (Resenha aqui) você irá se deparar com alguns personagens que você viu no livro, inclusive a protagonista Babi na adolescência.



Se você já leu “Perdida” da Carina Rissi, com certeza irá amar “Balada 80”, têm a mesma pegada e as duas autoras possuem uma narrativa tão leve e atual que você devora o livro em pouquíssimos dias (ou horas). Mesmo se tratando de um livro adolescente, recomendo a leitura para todas as idades.
Denise Barbosa é parceira do blog, acompanhe a autora em suas redes sociais:




Adquira o seu exemplar de Balada 80:
Uma indicação deliciosa para curtir nesse feriado de Páscoa!
Boa leitura!

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Miss Fisher's Murder Mysteries. Você precisa ver essa série!!!

A Netflix já um grande acontecimento, mudou a forma como vemos TV, quebrou o monopólio dos grandes grupos de entretenimento e democratizou o acesso a produções de qualidade. Numa dessas minhas incursões pela plataforma, descobri uma preciosidade australiana, só me arrependo de não ter conhecido antes a série, mas já resolvi esse probleminha com uma boa dose de maratonas!!! A série em questão é a aclamada Miss Fisher's Murder Mysteries, protagonizada por Essie Davis!!!


Em pleno século 21, o machismo ainda está bem vivo, então parece incrível que uma das maiores referências na ficção televisiva sobre feminismo e empoderamento da mulher seja uma série criminal ambientada na Austrália dos anos 1920. A primeira temporada, exibida em 2012 pelo GNT (canal pago do grupo Globosat), chegou silenciosamente à Netflix, mesmo assim, a grande plataforma fez com que a história de uma ousada detetive amadora arrebatasse muitos fãs entre seus usuários. A plataforma já conta com as três temporadas produzidas.



O título é bobo e a trama parece bastante inocente à primeira vista. Baseada em uma série de romances da escritora australiana Kerry Greenwood (ainda não traduzidos para o português), o programa acompanha as aventuras de Phryne Fisher (Essie Davis), uma herdeira moderna e sedutora que, depois de passar muitos anos fora da Austrália, volta a Melbourne e começa a solucionar crimes e mistérios, uma mistura de Agatha Christie e Arthur Conan Doyle.

Kerry Greenwood.
A série é um ode ao feminismo, uma produção necessária em tempos de ódio como o nosso. Começamos com Miss Phryne, uma mulher independente, experiente, astuta, generosa, cheia de atitude e, declaradamente, nada interessada em casamento — mas com uma vida sexual bem movimentada por diferentes parceiros. Seu espírito livre escandaliza algumas pessoas, incluindo sua tia conservadora Prudence, que condena suas ações desafiadoras à sociedade vigente. Além disso, uma das melhores amigas de Phryne, Mac, é uma médica lésbica, e os episódios já abordaram, de forma delicada e, ao mesmo tempo, informativa, temas como abortos clandestinos e práticas inseguras de trabalho em uma fábrica composta de mulheres. Ajudar outras a reconhecer seu papel importante parece uma das missões da personagem de Essie, que transformou sua acompanhante Dot, por exemplo, de uma menina acuada sem objetivos na vida em uma corajosa ajudante de detetive.

Mac e Phryne!!!
Phryne e sua intérprete, por si só, já desafiam a indústria sexista do entretenimento. Aos 45 anos, Essie está fora da faixa etária geralmente escolhida para papéis de protagonistas sedutoras. Que bom!!! Sua força e sua atuação passam um recado muito claro e relevante a quem se permita investigar crimes junto com ela em frente à TV.

Boa #maratonaNetflix para todos!!!

sexta-feira, 24 de março de 2017

Indicação: Lion e A Maldição do Tigre

Hoje é dia de dupla indicação, ou seja meu povo, é duas vezes mais amor, cultura e informação!!! Vamos jogar algumas perguntinhas no ar... Qual a relação entre Garth Davis e Colleen Houck? O que Saroo e Kelsey Hayes podem ter em comum? Você já assistiu "Quem Quer Ser um Milionário?"

Dev Patel em "Quem Quer Ser um Milionário?".
Adoro fazer "brainstorming", ajuda muito no processo criativo, se você respondeu a alguma das perguntas acima, já deve ter percebido que hoje faremos uma viagem ao segundo país mais populoso do mundo, a Índia. A cultura oriental é muito fascinante, muitas vezes nos causa estranhamento, mas é uma cultura tão rica quanto a nossa, no último Oscar um filme de produção australiana nos trouxe um das histórias mais emocionantes da última temporada de premiações, estou falando de Lion, dirigido por Garth Davis, um épico sobre família, amor, identidade e sofrimento. Assim que saí da sala de cinema, um livro me veio a mente, uma tetralogia na realidade, o "insight" me veio quando uma estátua da deusa Durga aparece no filme, uma cena muito marcante, fazendo com que eu relacionasse as duas obras. "Quem Quer Ser um Milionário?", também protagonizado por Dev Patel, levou a Índia para as principais premiações de cinema do mundo, um filme incrível, se você ainda não viu, super aconselho, desde então o cinema indiano tem crescido de forma espetacular. Lion nos conta uma história diferente, mas mostra a mesma realidade de um país marcado pela desigualdade. Nicole Kidman e Rooney Mara também dão vida a essa história tão singular.  



Aos cinco anos de idade, o indiano Saroo se perdeu do irmão numa estação de trem de Calcutá e enfrentou grandes desafios para sobreviver sozinho, até ser adotado por uma família australiana. Incapaz de superar o que aconteceu, aos 25 anos ele decide buscar uma forma de reencontrar sua família biológica. A cantora Sia, #diva, gravou a música "Never Give Up" para o filme, o resultado foi simplesmente maravilhoso. 



Colleen Houck, quando escreveu a série "A Saga do Tigre", também nos apresentou o mesmo país, claro, com uma visão mais romanceada, pois o objetivo da obra era mostrar a magia de uma nação tão mítica. Em "A Maldição do Tigre", primeiro livro da saga, Houck nos conta a história de Kelsey Hayes, que perdeu os pais recentemente e precisa arranjar um emprego para custear a faculdade. Contratada por um circo, ela é arrebatada pela principal atração: um lindo tigre branco. Kelsey sente uma forte conexão com o misterioso animal de olhos azuis e, tocada por sua solidão, passa a maior parte do seu tempo livre ao lado dele. O que a jovem órfã ainda não sabe é que seu tigre Ren é na verdade Alagan Dhiren Rajaram, um príncipe indiano que foi amaldiçoado por um mago há mais de 300 anos, e que ela pode ser a única pessoa capaz de ajudá-lo a quebrar esse feitiço. Determinada a devolver a Ren sua humanidade, Kelsey embarca em uma perigosa jornada pela Índia, onde enfrenta forças sombrias, criaturas imortais e mundos místicos, tentando decifrar uma antiga profecia. Ao mesmo tempo, se apaixona perdidamente tanto pelo tigre quanto pelo homem. Então, Kelsey, Ren e Kishan – o irmão de Ren – embarcam em uma emocionante aventura para derrotar Lokesh e devolver a humanidade dos príncipes tigres, com ajuda da deusa Durga.

Durga, a invencível, a caçadora de demônios.
As duas histórias são formas diferentes de nos apresentar esse país tão vasto, tão diferente e tão colorido, mas tão desigual, o sistema de castas, mesmo proibido por lei, ainda é uma realidade, segregando e marginalizando grande maioria da população. Independente dessas questões, conhecer novas culturas nos torna seres melhores, livres de preconceitos e mais respeitosos, o conhecimento é a melhor arma contra a ignorância!!! 

Box da série "A Saga do Tigre".
As duas obras me emocionaram muito, o sentimento que as move está na busca por identidade, ambos os protagonistas estão perdidos, longe de casa, da família e do amor. Essa busca, que no filme é mais visceral do que no livro, nos emociona e nos faz questionar nosso papel dentro das relações sociais que construímos. A religião está presente nas duas histórias, é algo fundamental para o povo indiano, na saga literária é explorada de forma mais mítica e mitomágica, já no filme, de forma mais crítica.

São duas histórias lindas, épicas e necessárias, que expandem o nosso olhar para a humanidade!!! Até o nosso próximo encontro!!!


sábado, 18 de março de 2017

Resenha: O Senhor das Águias e as Pedras da Perdição

 

Título: O Senhor das Águias e as Pedras da Perdição
Autor: Rafael da Silva Ferreira
Páginas: 388


Sou um leitor apaixonado pelo gênero de fantasia, debates sobre Harry Potter, Guerra dos Tronos, As Crônicas de Nárnia, Senhor dos Anéis, O Hobbit, Trilogia do Mago Negro, A Batalha do Apocalipse, Filhos do Éden, As Brumas de Avalon etc, são uma constante em minha vida, uma coisa bem nerd da qual me orgulho muito, mas algo sempre me incomodou, a falta de autores brasileiros de fantasia. Nos últimos anos esse panorama deu uma melhorada, não somente na quantidade, como na qualidade das obras, "O Senhor das Águias e as Pedras da Perdição" é uma excelente amostra dessa nova fase da literatura brasileira, publicada em versão digital. Não tenho nenhum preconceito com livros digitais, sou bem viciado em um bom pdf (hehe), podemos encontrar grandes obras em lojas virtuais como a Amazon, valorizando nossos escritores e a produção nacional. Me joguei na leitura desse eBook e me surpreendi muito com essa obra clássica do gênero, que nos faz querer uma continuação digna para o primeiro volume. 


"No início das eras, enquanto a terra não existia e nenhum mortal ou elfo tinha sido criado, havia na dimensão norte uma águia chamada Ilumar que sobrevoa um céu cinzento e sem vida. Suas asas tinham uma cor amarronzada. Eram alongadas com diversos detalhes brancos a sua volta. Um longo bico amarelo, garras afiadas com as quais conseguia facilmente agarrar sua presas e um olhar exuberante e aguçado, conseguia avistar a menor de todas as criaturas. Sua altura era de sete metros, pesava cerca de duzentos quilos. Tinha 120 anos, exibia agilidade em seus voos agressivos. Sua força era inexplicável e seu poder irradiava por todos os cantos do universo, podendo criar tudo aquilo que era de seu agrado." 

Ilumar e Cesarem.
Rafael da Silva Ferreira, nascido no dia 2 de Setembro de 1989, virginiano como eu, é mineiro da cidade de Alfenas e psicólogo. Fui apresentado aos mundos criados por Ilumar, o senhor das águias, que depois de criar o mago Cesarem, sua companhia depois de 120 anos de solidão, decide criar a terra dos seres mortais (elfos, anões, homens, centauros e hipogrifos). Cesarem, enciumado com a atenção que as outras aves míticas, imortais como o mago e a águia, também recebiam de Ilumar e sem saber ainda da criação da terra dos mortais, tenta amotinar as criaturas aladas contra Ilumar, que ao saber da traição, por compaixão, pois ainda acreditava que Cesarem poderia se redimir, o condena, junto com seus seguidores, a viver nas profundezas da terra dos mortais. O fiel mensageiro de Ilumar, Yën, o Corvo Negro, instrui a raça dos elfos da responsabilidade de ensinar sobre a criação e alertar todas as raças sobre Cesarem. O Mago das trevas decide então criar as pedras da perdição, que levariam o mundo dos mortais, Aldiroön, guerras e desgraças.

Com o passar dos séculos Aldiroön foi caindo em trevas, Ilumar então decide reunir um grupo de seres honrados para destruir Cesarem, Pedro, o representante da raça humana, um ferreiro viúvo e descrente, irá viver sua maior aventura, junto com seus companheiros, um de cada raça. Eles percorrerão Aldiroön para reunir as pedras da perdição e destruí-las definitivamente, é a segunda vez que um grupo é escolhido para salvar o mundo dos mortais, dessa vez a jornada é definitiva. Há um escolhido para cada pedra da perdição, somente esse escolhido pode carregá-la sem virar uma estátua de sal, mas para que o grupo chegue a cada uma das pedras, um pergaminho com pistas da localização deve ser aberto por cada escolhido, essa opção do autor para guiar os personagens em sua viagem épica foi muito acertada, tornando a leitura ainda mais instigante e ágil. Reconhecemos que um autor é bom quando encontra saídas literárias para figuras já tarimbadas, em o "Senhor das Águias" somos apresentados a dois personagens vampiros, Jack e Tony, que terão grande importância para o desenvolvimento do enredo e principalmente no envolvimento com os Elfos e Pedro. Aqui, os vampiros são apresentados como figuras malignas, pois servem a Cesarem, mas esses dois vampiros são tocados pelo espírito de Ilumar e rompem essa ligação com o mago das Trevas, o que irá ligar Jack, Tony, Pedro e Eleönora, a princesa dos Elfos.

"Um forte grito se dirigiu ao leste onde se encontravam os vampiros. Parecia que o seu mestre estava chamando. Todos voaram rapidamente para o norte. Jack e Tony ouviram também os gritos incessantes de Cesarem. Ambos ficaram desesperados em ouvir aquela voz assustadora."

Rafael da Silva Ferreira.
"O coração de Cesarem começou a se fechar diante da escolha de Ilumar, pois nunca imaginou que um dia seu mestre discordaria de algum posicionamento seu."

A literatura brasileira é muito vasta, simplesmente maravilhosa, não era de se espantar que também teríamos bons escritores do gênero fantástico. Rafael da Silva Ferreira fez em "O Senhor das Águias", um trabalho dedicado, muito bem construído, com a criação de um mundo que pode alimentar uma grande saga literária. A pesquisa e as referências tornam o livro uma experiência inesquecível.


"Havia uma outra região chamada Caën, próxima de Zatüron, onde morava um simples ferreiro chamado Pedro Smithy. Ele era famoso por construir as melhores espadas para a realeza e seus generais."

O livro trata de sentimentos como a dor do luto, amor, preconceito, falta de fé, esperança, ódio, vingança e perseverança. A mitologia criada por Rafael tem uma forte ligação com o cristianismo, desde o mito da criação do mundo, até a perseguição de grupos religiosos, representado pelos Aguianos, os seguidores da grande Águia Ilumar, que eram perseguidos e mortos por Cesarem e seus aliados.


Uma fantasia com os melhores elementos do gênero, muita aventura, guerras épicas, amor, magia e personagens fortes. Como sempre, minha identificação são com os Feiticeiros e Elfos, os seres mágicos de todo mundo fantástico.



O livro pode ser encontrado na Amazon, em formato digital. Um livro indicadíssimo, uma experiência super válida e necessária!!!

Boa leitura!!!

segunda-feira, 13 de março de 2017

Resenha: Diário de uma fã


Título: Diário de uma fã
Autora: Denise Barbosa
Páginas: 210

“Diário de uma fã” é um livro nacional do gênero juvenil, escrito pela autora Denise Barbosa, teve sua publicação independente pela Amazon, disponível somente em e-book para download. Como eu sou apaixonada por livros com personagens que tem algo envolvido na música, me interessei loucamente por este livro! Além de ter visto muitos (e ótimos!) comentários sobre o livro no Instagram, me chamando atenção
Nessa história, somos apresentados a Bárbara, ou Babi como é mais conhecida, uma jovem jornalista que trabalha em uma grande emissora de TV e tem um chefe que vive pegando no seu pé. Babi mora com sua melhor amiga, Milena, que também é sua companheira de trabalho, porém, está de casamento marcado e logo a deixará sozinha no apartamento que dividem.
Babi está em um relacionamento que não está fazendo bem para sua vida pessoal e profissional, Fred é ciumento possessivo, sempre arruma briga e coloca Babi em algumas saias justas, inclusive em seu trabalho. A vida amorosa de Babi nunca foi fácil, sente-se fechada para esse sentimento por conta de seu passado...  Babi já namorou Luca Becker, o famoso vocalista da banda Red Beagle!
No meio de todas as confusões, esgotada emocionalmente e fisicamente, Milena aconselha Babi descansar, se distanciar um pouco dos problemas e tirar suas merecidas férias. Então o destino escolhido é Trancoso, na Bahia, descrito como paraíso. Em um dia de sol, curtindo o dia na praia, conhece por acaso Enrico, um italiano galante e dono de restaurante do local. Depois de altos papos, ele acaba se tornando um bom amigo e companheiro para Babi durante a viagem. Enrico a apresenta para Marjorie e Jurema, que moram e trabalham por ali. Os quatro formaram um círculo de amizade incrível.
Em seu último dia de férias, seus amigos resolvem fazer uma festinha de despedida e Babi acaba exagerando na bebida. Meio descontrolada por causa do álcool, és que o inesperado acontece: Na rádio começa a tocar a música de Luca Becker! E justamente aquela em especial que foi escrita á ela. Isso mexe com sua cabeça e seu coração. Lógico que depois do ocorrido, ela teve que contar sua história de amor (quase um conto de fadas) que viveu com o cantor para seus amigos de Trancoso. Infelizmente como já era tarde, e seu voo seria daqui a poucas horas, Babi contou apenas alguns detalhes da história e prometeu enviar a continuação por e-mail á Enrico.

"As palavras e o olhar de Luca para mim... tudo parecia tão verdadeiro! E se eu tentasse me adaptar ao modo como as coisas tinham que ser? Que tal se eu tivesse um pouco mais de paciência? Afinal, a vida de um superstar como ele não era fácil...era realmente como ele dizia...”não espere o trivial”

Babi volta para Brasília toda renovada por dentro e por fora, menos o seu coração. A maior prova é quando Babi foi escolhida para ser a jornalista responsável pela entrevista com Luca Becker, agora lançando carreira solo. Isso a deixa balançada, já que não o vê há anos. Em meio a pensamentos confusos e sentimentos fortes, Babi senta na frente do computador e começa a escrever contando todos os detalhes da sua história de amor para Enrico, como uma forma de libertar tudo que guarda dentro de si.
Ela, uma garota universitária comum. Ele, um popstar da música.
Babi, em 1996 era uma estudante de jornalismo e estagiava em um pequeno jornal da cidade. Na adolescência, era fã de carteirinha de bandas e cantores, nutria paixões platônicas por eles (quem nunca!?). Porém, agora uma jovem adulta, não se considera fã de mais ninguém, só que suas amigas e fiéis companheiras de aventuras, Lucinha e Luciana são fanáticas pela banda do momento, a Red Beagle, e quando souberam que fariam um show na cidade, decidem que querem ir de qualquer jeito no hotel onde os integrantes estão hospedados e tentam convencer Babi acompanha-las e pensar em um plano para pegar autografo de pelo menos um dos meninos da banda. Depois de uma encenação de desmaio na frente dos seguranças (clássica!), Babi é a única (olha a ironia do destino) que consegue desviar e correr dos seguranças, Lucinha joga o cd para ela no elevador para que consiga o tão sonhado autógrafo de seu ídolo. Depois de correr, levando um belo tombo, Babi dá de cara com o vocalista – lindo - Luca Becker. Ele super simpático e atencioso, a ajuda se levantar, autografando o cd e ainda presenteando-a com três ingressos para o show! Uau, isso que é sorte. Mas seus caminhos irão se cruzar mais ainda...

"Fui literalmente apaixonada por inúmeras boy bands quando adolescente. Era como se fosse um combustível para a minha empolgação juvenil. E esta mesma empolgação estava bem ali outra vez, no meu sorriso, nos meus olhos. Estava me sentindo viva com aquela brincadeira de menina."

Quando Luca viu Babi pela primeira vez em sua porta no quarto do hotel, algo o chamou a atenção, se encantando pela moça. O que ambos não esperavam é que logo após o show, quando Babi está voltando para casa em seu fusquinha branco – o Bob - ela vê um ônibus parado, aparentemente com problemas, e para a sua surpresa era da banda Red Beagle. É ali que tudo acontece, Luca aproveita e pega carona com Babi, a garota que se viu encantado, aproveitando conhece-la melhor e ter suas horas de liberdade. Preciso dizer que eles se apaixonam um pelo outro? Acho que não, né?
Mas o que poderia ser um conto de fadas, se transforma em algo complicado.
Luca é um rapaz apaixonado pelo que faz, a música é sua vida, mesmo que tenha consequências a se pagar, como por exemplo, ser controlado pelos seus empresários, a impressa o perseguindo, fãs exageradas, isso foi muito para Babi aguentar, pois até ela estava sendo perseguida e sendo até ameaçada por fãs do cantor! Perante a inúmeras dificuldades e seus mundos completamente diferentes, Babi resolve tomar uma decisão que abala ambos, dar um fim no namoro e cada um seguir seus caminhos. Luca tornou-se um artista cheio de problemas pessoais e virando notícia por conta de sua rebeldia. Já Babi se dedica a sua carreira como jornalista, estudando em Nova York.

"Eu estava confusa com tudo que acabava de acontecer. Não assimilava que tinha acabado de vez aquela história, e daquela forma. Doía tanto que não parecia que era comigo, e que eu era uma mera telespectadora de um filme,"

Depois de tudo, Babi ficará cara a cara com seu amor do passado, o entrevistando ao vivo. Qual será a sensação desse reencontro? Essa história de amor ainda terá um final feliz?

O desenrolar da história é com inúmeras reviravoltas e um final que irá te surpreender. A autora soube bem desenvolver o romance, criando fatos que aproximam o leitor. O livro é divido em três tempos com alguns flashbacks: ano de 2002, 1996 e 2016. Essas passagens nos ajudam muito a compreender todo o enredo. A narrativa é feita em terceira pessoa e com uma linguagem atual.
O livro é pequeno, você o devora em poucas horas. É uma leitura prazerosa e envolvente. O que me faz entrar fundo na história é quando me identifico com algum personagem, e tenho alguns pontos parecidos com a Babi, além de eu estar cursando Jornalismo, confesso que também sou meio fechada ao amor por causa de alguém do passado. E o Luca? Quando a Lucinha, amiga de Babi o descreve como “ruivo-sensação-guitarrista”, logo eu penso em um dos meus cantores favoritos: Ed Sheeran! Luca durante a história, me lembrou muiiito o jeitinho do Ed Sheeran, e quando cheguei a cena final do livro (não contarei porque é spoiler haha’), minha dedução estava certa! 

A história é sensacional! Vai muito além de um simples enredo de uma garota comum que se apaixona por um superstar... O livro enfatiza o amor, amizade, sonhos e nos mostra o quanto não é fácil um relacionamento, mas sempre siga seu coração, não tenha medo e se arrisque ao verdadeiro amor. Os personagens são bem construídos e cada um ali tem algo para ensinar.

"Acho que você tem que ouvir os seus sentimentos e abandonar os medos. A vida é tão curta para ficar com medo de se entregar ao amor, Babi!"

Amei a escrita da Denise, simples, dinâmica, divertida e com ótimas referências! A história fluiu do início ao fim, chegando ao ponto de não querer parar! O livro me fez rir, suspirar, chorar, sorrir... Valeu a pena a leitura para mim e recomendo! O livro está disponível somente em e-book pela Amazon com um precinho especial e acessível. Corre e baixe o seu, e se encante com a história de Babi e Luca.
Aqui no blog, temos uma entrevista com a autora, confiram: Entrevista com a autora Denise Barbosa.

Boa Leitura!

sexta-feira, 10 de março de 2017

Chimananda Ngozi Adichie. Africana, Escritora, Feminista e Diva!!!

Olá pessoas!!!


Chimananda Ngozi Adichie
Sim, estou apaixonado por Chimananda Ngozi Adichie!!! Fui apresentado a sua escrita quando comprei Americanah, seu quarto romance. Não o li, o devorei, depois fui atrás de tudo que essa mulher já tinha escrito, resultado, amor para a eternidade!!! Chimananda, assim como eu, é feminista, lutando pelo fim da violência contra a mulher e por igualdade de gênero. Não tem como não amar!!! A senhora Adichie fez uma participação especial em uma das melhores músicas da Beyoncé, Flawless, onde apresenta seu poderoso manifesto feminista. A união dessas duas deusas negras redefiniu o significado de poder.




"Nós ensinamos as meninas a se retraírem
Para diminuí-las
Nós dizemos para as garotas, você pode ter ambição
Mas não muita
Você deve ser bem sucedida, mas não muito
Caso contrário, ameaçará o homem
Porque eu sou uma fêmea
Esperam que eu deseje me casar
Esperam que eu faça as minhas próprias escolhas na vida
Sempre tendo em mente que
O casamento é o mais importante
O casamento pode ser uma fonte de alegria e amor e apoio mútuo
Mas por que ensinamos às garotas a aspirar ao casamento
E não ensinamos a mesma coisa aos meninos?
Educamos as garotas a se verem como concorrentes
Não por emprego ou por realizações
O que eu penso que pode ser uma coisa boa
Mas sim pela atenção dos homens
Nós ensinamos as garotas que não podem ser seres sexuais
Da mesma forma que os garotos são
Feminista, a pessoa que acredita na igualdade social
Política e econômica entre os sexos"


Chimananda nasceu no dia 15 de Setembro (virginiana com eu), na cidade de Abba, Nigéria. Filha de professores universitários, chegou a cursar um ano e meio de medicina, mas decide se mudar para os EUA, onde estudou comunicação e ciência política, depois fez mestrado em Escrita Criativa e um mestrado de artes em Estudos Africanos. Ela divide seu tempo entre os EUA e a Nigéria, onde leciona oficinas de escrita.

Chimananda diva da literatura!!!
No dia 8 de Março, comemoramos o Dia Internacional da Mulher, uma data que lembra a luta por igualdade, proteção estatal e direitos, em homenagem a esse dia, o Relicário de Histórias compartilha três romances dessa escritora que conquistou o mundo e os nossos corações. 

1- Hibisco Roxo



Protagonista e narradora de 'Hibisco roxo', a adolescente Kambili mostra como a religiosidade extremamente 'branca' e católica de seu pai, Eugene, famoso industrial nigeriano, inferniza e destrói lentamente a vida de toda a família. O pavor de Eugene às tradições primitivas do povo nigeriano é tamanho que ele chega a rejeitar o pai, contador de histórias, e a irmã, professora universitária esclarecida, temendo o inferno. Mas, apesar de sua clara violência e opressão, Eugene é benfeitor dos pobres e, estranhamente, apoia o jornal mais progressista do país. Durante uma temporada na casa de sua tia, Kambili acaba se apaixonando por um padre que é obrigado a deixar a Nigéria, por falta de segurança e de perspectiva de futuro.

2- Meio Sol Amarelo



Filha de uma família rica e importante da Nigéria, Olanna rejeita participar do jogo do poder que seu pai lhe reservara em Lagos. Parte, então, para Nsukka, a fim de lecionar na universidade local e viver perto do amante, o revolucionário nacionalista Odenigbo. Sua irmã Kainene de certo modo encampa seu destino. Com seu jeito altivo e pragmático, ela circula pela alta roda flertando com militares e fechando contratos milionários. Gêmeas não idênticas, elas representam os dois lados de uma nação dividida, mas presa a indissolúveis laços germanos - condição que explode na sangrenta guerra que se segue à tentativa de secessão e criação do estado independente de Biafra. 

3- Americanah


Lagos, anos 1990. Enquanto Ifemelu e Obinze vivem o idílio do primeiro amor, a Nigéria enfrenta tempos sombrios sob um governo militar. Em busca de alternativas às universidades nacionais, paralisadas por sucessivas greves, a jovem Ifemelu muda-se para os Estados Unidos. Ao mesmo tempo que se destaca no meio acadêmico, ela se depara pela primeira vez com a questão racial e com as agruras da vida de imigrante, mulher e negra. Quinze anos mais tarde, Ifemelu é uma blogueira aclamada nos Estados Unidos, mas o tempo e o sucesso não atenuaram o apego à sua terra natal, tampouco anularam sua ligação com Obinze. Quando ela volta para a Nigéria, terá de encontrar seu lugar num país muito diferente do que deixou e na vida de seu companheiro de adolescência. Chimamanda Ngozi Adichie parte de uma história de amor para debater questões prementes e universais como imigração, preconceito racial e desigualdade de gênero.



Os três livros são inspiradores, trazendo para nós uma realidade que muitas vezes negamos, a africana. Além dos três romances apresentados, Chimananda possui duas outras obras, que podemos chamar de manifestos, "Sejamos Todos Feministas" e "Para Educar Crianças Feministas: Um Manifesto", são obras onde a autora conclama a necessidade da luta pelos direitos de igualdade de gênero, os textos desses dois livros são mais sociológicos e políticos, mas de fácil leitura e compreensão, ou seja, obras indicadíssimas e necessárias!!!


Eu amo essa mulher e não ligo em dividi-la com todos vocês, não possuo ciúmes literário!!!

Espero que tenham gostado e até o nosso próximo encontro!!!


sexta-feira, 3 de março de 2017

O Carnaval e a Literatura!!!

"Na tela da TV, no meio desse povo, a gente vai se ver na Globo..." Antes de mais nada, preciso deixar bem claro que sou apaixonado pelo carnaval, seja ele o das escolas de samba ou o de rua. O carnaval é uma das maiores festas do mundo e um dos nossos maiores símbolos, nele há a presença da cultura indígena, negra e europeia, os povos que formaram esse país multicultural. Na realidade o carnaval é bom para os dois lados, quem gosta, tem cinco dias de muita folia e diversão, quem não curte, tem cinco dias de descanso e programas alternativos, é um feriado democrático.



Mas por que estou falando especificamente do carnaval? Na edição desse ano, duas escolas me chamaram muito a atenção, não somente por seus desfiles belíssimos e apoteóticos, mas pelo tema escolhido. Duas obras da literatura clássica mundial!!!

Demônios no Inferno de Dante.
A Acadêmicos do Salgueiro, no Rio de Janeiro, escolheu a Divina Comédia de Dante Alighieri, levando o enredo "A Divina Comédia do Carnaval" para a Sapucaí, mostrando o purgatório, céu, infernos e as criaturas míticas que o escritor italiano vai descrevendo em sua grande obra. Foi genial, pois literatura é isso, é cultura, é essa mistura das artes!!! Confira a letra do Samba Enredo da Salgueiro.

"Vou embarcar em ilusões
À loucura me entregar
Prazer (ô prazer)
Sou poeta delirante, o amante
Na profana liberdade
Devoto da infernal felicidade
Quero o gostoso veneno do beijo
Saciar o meu desejo
Me embriagar
Nos braços da folia me jogar

Vou me perder pra te encontrar
Enlouquecer, morrer de amar!
Pra que juízo, amor? A noite é nossa
Do jeito que o pecado gosta!

Sinto minh'alma se purificar
Vislumbrar
O paraíso, no firmamento
Três com sagrados talentos
Vê, estão voltando as flores
Lá, onde ressoam tambores
Toca batuqueiro, dobre o rum
Aos presentes de Orum

Gira baiana e faz do céu um terreiro
Tinge essa avenida de vermelho
É nossa missão, carnavalizar a vida
Que é feita pra sambar!

Dessa paixão que encanta o mundo inteiro
Só entende quem é Salgueiro
Só entende quem é Salgueiro"


Iracema.
Outra escola que me emocionou muito, essa por trazer um clássico da literatura brasileira, um dos meus favoritos, foi a Beija-Flor de Nilópolis, também do Rio de Janeiro, que homenageou o grande clássico de José de Alencar, Iracema, com o enredo "A Virgem dos Lábios de Mel". A escola inovou pois não apresentou seu desfile com as alas tradicionais, mas sim por capítulos do livro, tornando a sapucaí uma grande festa da cultura indígena brasileira. Foi espetacular, uma linda homenagem a um dos nossos maiores romancistas!!! Confira o Samba Enredo da Beija-Flor.


"Araquem bateu no chão

A aldeia toda estremeceu
O ódio de irapuã
Quando a virgem de tupã se encantou com o europeu
Nessa casa de cabloco hoje é dia de ajucá
Duas tribos em conflito
De um romance tão bonito começou meu ceará

Pega no amerê, areté, anama
Pega no amerê, areté, anama

Bem no coração dessa nossa terra
A menina moça e o homem de guerra
Ele sente a flecha, ela acerta o alvo
Índia na floresta, branco apaixonado
Vem pra minha aldeia, beija-flor
Tabajara, pitiguara bate forte o tambor
Um chamado de guerra, minha tribo chegou
Reclamando a pureza da pele vermelha
Bate o coração de moacir
O milagre da vida, me faz um mameluco na sapucaí
Oh linda iracema morreu de saudade
Mulher brasileira de tanta coragem

Um raio de sol a luz do meu dia
Iluminada nessa minha fantasia

A jandaia cantou no alto da palmeira
O nome de iracema
Lábio de mel, riso mais doce que o jati
Linda demais cunhã-porã iterei
Vou cantar jureme, jureme, jureme
Vou cantar jurema, jurema
Uma história de amor, meu amor
É o carnaval da beija-flor"


Os dois livros, clássicos que são, representam o grande poder da literatura em influenciar e descrever momentos históricos e marcar eras, a obra de Dante é titânica, dando a famosa e conhecida visão do inferno que a Igreja Católica tanto difundiu posterior a obra. Dividida em Inferno, Purgatório e Paraíso, o texto foi construído em forma de poesia, o que torna a experiência muito mais assustadora em alguns casos, o uso do lirismo transforma a obra em um épico teológico que marca qualquer leitor. Confesso que como não sou o maior fã do mundo de poesia, levei quase um mês para ler as três partes da história, mas posso garantir que foi uma das maiores experiências literárias da minha vida, o grande mito do inferno é solidificado com essa obra, que é um dos grandes marcos da literatura italiana. Confira a beleza do desfile com algumas fotos abaixo.










Quando vi que que Beija-Flor iria homenagear Iracema e José de Alencar, criei grande expectativa, pois os desfiles da escola são magníficos. A expectativa foi correspondida!!! Iracema, para muitos estudiosas da literatura brasileira, é um dos grandes textos do país, sendo considerado, ao lado de O Guarani, os melhores livros de José de Alencar, o maior romancista do Brasil. O livro faz parte da sua obra indianista, que além dos dois títulos já citados, tem também o clássico Ubirajara. Já li Iracema duas vezes, a primeira na época do ensino médio, durante as aulas de literatura, e mais recentemente por curiosidade, para realmente entender a obra. A experiência foi incrível, reli com outros olhos, com um viés mais crítico, é perceptível a tentativa do autor em entender o Brasil, compreender a partir dos índios, os verdadeiros donos dessa grande terra. O livro é uma alegoria para contar a principal lendo do Ceará, daí o subtítulo da obra - "Lenda do Ceará". A "virgem dos lábios de mel" tornou-se símbolo do Ceará, e seu filho, Moacir, nascido de seus amores com o colonizador português Martim, representa o primeiro cearense, fruto da união das duas raças. A história é uma representação do que aconteceu com a América na época de colonização européia. Como já disse, a literatura é a descrição de uma época e José de Alencar mostra a América em um momento decisivo para a consolidação do continente, dessa miscigenação entre o nativo e o colonizador europeu nasce a América, principalmente a Latina, devido a influência Portuguesa e Espanhola. Confira a beleza do desfile com algumas fotos abaixo.









Eu acredito que toda leitura, principalmente a dos clássicos é fundamental para nossa formação como cidadãos, então indico os dois livros, Iracema é uma história curta, um ou dois dias são o suficiente para conhecer essa obra incrível, já A Divina Comédia, até por ser maior, acredito que se leva uma pouquinho mais de tempo, mas tenho certeza que serão experiências marcantes na vida de vocês, além disso, essas obras já estão em domínio público (Iracema e A Divina Comédia), não precisa pagar para ter essas preciosidades!!!

O post de hoje foi uma homenagem não somente ao carnaval, mas a cultura brasileira, tão rica, tão maravilhosa e tão democrática!!!
Até o nosso próximo encontro!!!